Lívia Watanabe & Mariana Souza
No hall, a madeira das paredes é a mesma do chão. O piso de ipê veio fixado pelo concurso, e Lívia Watanabe e Mariana Ferreira estenderam a espécie para os planos verticais num tom escurecido, de modo que piso e parede se leiam como peça única. A planta e a estrutura também vieram do edital. A proposta decide do que cada superfície é feita, e decide por madeira sobre madeira.
Contra esse fundo, duas paredes se encaram e nenhuma delas mostra como funciona. Uma é uma grade de pedra marmorizada cinza escuro, dividida em módulos por perfis finos e acesa por fitas embutidas atrás das prateleiras, que sobe acima da linha do olho. A outra é marcenaria corrida do piso ao teto, sem puxador e sem junta à vista. Uma expõe, a outra guarda. Os objetos entram em contagem baixa e quase todos em branco ou pedra clara, e nessa densidade de tom cada peça clara marca a posição em que foi posta.
O corredor troca de regime. As paredes passam a painéis de concreto claro entre montantes de madeira, com as portas embutidas no mesmo desenho, e o que era massa escura vira sequência de módulos iguais. Do lado oposto, a pele de vidro corre para o jardim central, com uma poltrona torneada e uma mesinha voltadas para a jardineira, no trecho de maior claridade. A luz artificial fica em fitas indiretas no forro, acesa depois do entardecer.
No fim do percurso a pedra reaparece com outra função. O mesmo marmorizado escuro do hall volta como console em balanço, horizontal fina atravessando três módulos de concreto sem tocar o chão, com dois vasos e um desenho encostado. A paleta inteira do bloco tem quatro tons, três deles escuros. Mesmo material, dois papéis.