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✱ FORMA ✱ MATÉRIA ✱ TEMPO ✱ SISTEMA ✱ FORMA ✱ MATÉRIA ✱ TEMPO ✱ SISTEMA

✱ FORMA ✱ MATÉRIA ✱ TEMPO ✱ SISTEMA ✱ FORMA ✱ MATÉRIA ✱ TEMPO ✱ SISTEMA

MOSTRA

MINIMALISTA

ARQUITETURA

NATURALISTA

O Arquitetura em Versos reúne arquitetos, designers e artistas em torno de uma única casa. A cada edição, todos trabalham sobre a mesma linha estética, e cada um a interpreta à sua maneira, do espaço ao objeto. A casa que resulta é uma casa-galeria: obra coletiva, pensada como arte, construída para ser vivida.

Toda edição começa com um concurso. Escritórios de arquitetura de todo o país concorrem com projetos para a mesma casa. Só os melhores são selecionados e executados, cada um em um espaço. Então os escolhidos são refinados em conjunto, decisão a decisão, até que muitas autorias se leiam como um único corpo.

O AV mantém uma coleção própria de arte, design e artesania brasileira. A cada edição, um recorte da coleção entra na casa: obras escolhidas sob a mesma linha dos projetos, cada uma com ficha, autoria e procedência.

A mostra é a estreia pública da casa. Por uma temporada, visitantes percorrem uma obra que ainda pertence a todos. Encerrada a exposição, ela alcança sua forma definitiva: uma família a compra e a vive. Parte das obras permanece na casa; o restante volta à coleção e segue para a próxima edição.


PROJETO

Terminada, a Casa Verde abre como mostra. Por dois meses, o público percorre os ambientes prontos, com os projetos vencedores executados e as obras expostas. Encerrada a temporada, a casa é vendida completa: arquitetura, marcenaria, mobiliário, iluminação. O futuro morador chega com a mala.

CASA VERDE

A Casa Verde fica no Lago Sul, em Brasília. É a segunda casa do Arquitetura em Versos e a primeira investigação da linha Minimalista Naturalista.

O Minimalista Naturalista está em duas decisões. Contenção do gesto: desenhar apenas o necessário; poucas linhas, planos inteiros, nenhum ornamento. Presença da matéria: o interesse vem dos materiais; o veio da madeira, o cristal da pedra, a luz que muda sobre eles durante o dia. Quanto menos desenho, mais a matéria aparece.

Os materiais são o que parecem. O piso é ipê maciço; na cozinha e na área gourmet, granito negresco. Os acabamentos são foscos: a pedra escovada, a madeira com óleo. Nada brilha.

As cores são as da natureza: terra, ocre, verde, os cinzas da pedra, os marrons da madeira. A natureza mesma entra como ponto mínimo. Um jardim no centro da casa, uma árvore diante do quarto.



50 MELHORES PROJETOS

Agradecemos a todos os participantes que dedicaram seu tempo para ler os editais, desenvolver suas propostas e compartilhar seus projetos conosco.

Casa Vegati

Eduardo Gust

Leonardo Melo

Rafael Pinoti

Vitor Bacci

Ane Elise Valadão

Amanda Marani

Leonardo Silva

Caio Ferreira

Luan Franco Lima

Giovane Lemos


PARTICIPANTES

Agradecemos a todos os participantes que dedicaram seu tempo para ler os editais, desenvolver suas propostas e compartilhar seus projetos conosco.


CONSTRUINDO ESTÉTICAS LINHA POR LINHA

Foram anos visitando casas parecidas, e de todas saímos com a sensação de já ter estado ali. A mesma planta, o gesso liso, o cinza sobre cinza, o porcelanato imitando mármore; quando a pedra é verdadeira, é o travertino de sempre. O residencial brasileiro, do Lago Sul aos Jardins, virou um catálogo que se copia. A casa, onde a vida inteira acontece, ficou parada.

Dói porque este país já soube fazer diferente. Nos anos cinquenta, o mundo olhava para a casa brasileira. A casa é o endereço original da arte, e a nossa foi, por um tempo, exemplo disso.

O arquiteto conhece esse processo por dentro. Quem paga decide, e quem paga pede a casa que viu na casa do amigo mais rico. Um briefing inteiro pode caber numa frase: faz igual à da fulana. A ideia difícil, de executar ou de assimilar, morre na primeira reunião. O país forma autores e os contrata como executores de gosto alheio.

Ninguém escolhe o que ainda não viu. O cliente pede a casa de outra pessoa porque foi só isso que o mercado pôs na frente dele.

O Arquitetura em Versos põe outra coisa na frente. Abrimos concurso, escolhemos os melhores projetos e damos a cada arquiteto o que a profissão raramente oferece: um ambiente inteiro, decidido só pela sua sensibilidade. A mobília e as obras de arte entram no projeto desde o primeiro traço, escolhidas sob a mesma linha que orienta os arquitetos. Uma casa onde arquitetura e arte nascem juntas tem nome: casa-galeria.

Cada projeto vence sozinho e depois é ajustado aos vizinhos, as transições estudadas porta a porta. Pronta, a casa abre ao público como mostra. Encerrada a temporada, ela é vendida, e uma família muda para dentro.

Um visitante de museu dá alguns segundos a cada obra. Quem mora vê a mesma obra por anos, na luz da manhã e na da noite, nos dias bons e nos péssimos. Habitar é a crítica mais longa que uma obra pode receber. É para esse julgamento que construímos.

O que segura uma casa de muitas mãos é a linha estética da edição. Arquitetos e obras operam sob ela, e é ela que decide onde um projeto termina e o outro começa. De onde vem uma linha, e como ela se transforma em casa, é a pergunta que abre o Livro AV, disponível para leitura.

Construindo estéticas, linha por linha.