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✱ FORMA ✱ MATÉRIA ✱ TEMPO ✱ SISTEMA ✱ FORMA ✱ MATÉRIA ✱ TEMPO ✱ SISTEMA

✱ FORMA ✱ MATÉRIA ✱ TEMPO ✱ SISTEMA ✱ FORMA ✱ MATÉRIA ✱ TEMPO ✱ SISTEMA

Suíte_02

TIPI Estúdio

Ver é suficiente para definir?

Há projetos que procuram impressionar pela presença. Este parece interessado justamente no contrário: em construir uma presença que se revela aos poucos. O Wabi-Sabi aparece como princípio para pensar um quarto em que a matéria, a luz e o tempo tenham espaço. A escolha por uma paleta terrosa, superfícies naturais e formas contínuas cria uma atmosfera de recolhimento, mas o mérito está em não transformar essa busca por calma em uma composição genérica de tons neutros e elementos naturais. Existe uma intenção espacial muito evidente para nós: fazer do ambiente uma experiência.
É inevitável lembrar de Axel Vervoordt ao observar essa aproximação. Sua leitura do Wabi-Sabi ajudou a levar ao interiorismo ocidental uma compreensão em que a matéria não precisa ser domesticada para se tornar sofisticada e usual. Madeira, pedra, fibras e superfícies irregulares ganham valor justamente por aquilo que são: textura, marcas, variações, possibilidade de transformação e o próprio entendimento do envelhecimento. Neste projeto, essa influência encontra uma tradução própria. Os materiais não estão ali apenas para compor uma paleta; são parte da atmosfera e estabelecem uma relação sensorial com quem ocupa o quarto. O Wabi-Sabi começa a fazer sentido quando deixa de ser uma referência estética e passa a ser compreendido de forma correta.
É prazeroso quando percebemos que as escolhas de um projeto não acontecem por acaso e que cada elemento pode participar da experiência de quem o habita. Aqui, isso aparece com clareza. A curva da cabeceira cria uma espécie de onda que envolve a cama; o forro acompanha esse movimento e intensifica a sensação de abrigo; as fibras filtram a luz natural e produzem uma relação delicada entre interior e exterior. A iluminação, por sua vez, não possui protagonismo no projeto. Ela constrói diferentes profundidades ao longo do dia, permitindo que as superfícies mudem conforme a luz se transforma. É aí que percebemos sua importância como base estrutural das percepções construídas dentro do espaço ao longo do dia. São decisões propositais e precisas, que fazem do acolhimento uma consequência da arquitetura, e não apenas uma palavra usada para descrevê-la, sem verdade, sem sentido.
Talvez seja justamente aí que o projeto encontre sua maior força. Wabi-Sabi não é uma fórmula visual baseada em tons terrosos, madeira, pedra ou na ausência de excessos, tampouco de minimalismo de alto padrão. Reduzi-lo a isso seria transformar uma filosofia em tendência, bom…O mercado já fez isso vezes demais! Sua essência está na aceitação da impermanência, nas coisas que não precisam permanecer intactas para conservar seu valor. É nesse ponto que este quarto estabelece sua relação mais interessante com o conceito e constrói uma atmosfera que pode amadurecer. O maior aliado do projeto não é a estética, é o tempo. Use-o ao seu favor.