GIF

✱ FORMA ✱ MATÉRIA ✱ TEMPO ✱ SISTEMA ✱ FORMA ✱ MATÉRIA ✱ TEMPO ✱ SISTEMA

✱ FORMA ✱ MATÉRIA ✱ TEMPO ✱ SISTEMA ✱ FORMA ✱ MATÉRIA ✱ TEMPO ✱ SISTEMA

Suíte_02

Silaba Arquitetura

Antes luz do que objeto

Na Suíte da Casa Verde, projetada pelo Silaba Arquitetura, nos deparamos com uma lona tensionada instalada no forro, sobre a cama, que assume a aparência de uma claraboia. Ao lado da marcenaria contínua, a solução contribui para que dormitório, closet e banho sejam percebidos como partes de um mesmo ambiente, sem que cada função precise se afirmar como um volume independente.
O painel de marcenaria sustenta boa parte dessa unidade justamente por desempenhar múltiplas funções. Armazenamento, circulação e portas são incorporados ao mesmo desenho, reduzindo a quantidade de elementos que aparecem individualmente no espaço. A porta do banheiro, mimetizada na própria marcenaria, leva essa lógica ao limite e faz com que um elemento necessário à organização do quarto praticamente desapareça. A cortina ao fundo trabalha de outra maneira. Ela introduz uma possibilidade de filtro e delimitação que não interrompe completamente a continuidade do ambiente, permitindo diferentes graus de exposição. Até o mobiliário parece seguir essa contenção, embora seja interessante pensar no quanto ainda podemos subverter as funções determinadas de cada peça. E quando cada elemento parece já ter um lugar e uma função tão bem definidos, o que acontece quando um deles passa a ocupar o lugar de outro? A cadeira ao lado da cama é um detalhe pequeno, mas levanta essa questão. Dentro de uma linguagem minimalista e naturalista, em que a materialidade e a forma dos objetos parecem buscar uma relação mais direta com seu uso, talvez valha pensar se deslocar uma cadeira de sua função original acrescenta algo ao espaço ou apenas à sua composição cenográfica.
A questão mais delicada está na lona sobre a cama. Para funcionar como claraboia, ela precisa ser percebida antes como luz do que como objeto. Essa diferença parece pequena, mas exige um controle muito, mais muito preciso. Se a intensidade for alta demais, a lona deixa de sugerir uma abertura e passa a ser percebida como um grande plafon sobre o lugar de permanência mais prolongada do quarto. Se for baixa demais, perde força e pode reforçar a condição de um ambiente fechado, uma enclausura angustiante, dependente da iluminação artificial. Talvez por isso fosse interessante explorar também pontos de luz mais localizados, associados a determinadas superfícies ou momentos de uso, criando variações dentro de uma iluminação que hoje se concentra em uma única grande decisão. A paleta contida ajuda a manter a unidade do conjunto, embora alguns pontos de cor ou luz pudessem introduzir uma diferença necessária em um espaço tão rigorosamente controlado.
A Suíte encontra sua força justamente na capacidade de fazer muitas coisas desaparecerem dentro de uma mesma linguagem. Ainda assim, o projeto levanta uma questão sobre o próprio minimalismo. Quando a arquitetura reduz os elementos e concentra suas funções, ela também pode acabar determinando demais o modo como cada coisa deve ser usada e percebida. Talvez o próximo passo esteja em preservar essa unidade sem exigir que tudo tenha uma única função, desde que, o contexto inserido faça jus.